terça-feira, 30 de março de 2010

O CABO ELEITORAL

- Com licença, posso entrar?
- Pois não!
Entrou, sentou em frente a minha mesa e foi logo dizendo que era cabo eleitoral de um deputado federal, citando o nome e sobrenome do mesmo.
Espantei-me, não sabia que tinha um homônimo de tal importância. Mas, por via das dúvidas, pedi que aguardasse um instante e fui à outra sala e, via telefone, entrei em contato com um amigo, com muita influência no meio político, que poderia me informar se havia o tal deputado com o mesmo nome e sobrenome do qual fui registrado.
Após a pesquisa, e ser informado que não havia nem vereador de cidade pequena com a grandiosidade desse nome (?), voltei para minha sala. Pedi um café para dois e, enquanto saboreávamos aquele pretinho, fresquinho, passado no saco, me ajeitei na cadeira, pois sabia que aquela conversa seria muito interessante e perguntei ao dito cujo:
- Qual era seu objetivo?
Começou falando de um projeto – por sinal, muito faraônico – e que ele e o nobre deputado pretendia implantar naquele determinado Parque.
Falou também das qualidades do referido deputado, de tal maneira que comecei a sentir um formigamento na cabeça.
Eu, que raramente sou elogiado, quando muito, escuto:
- É... seu trabalho ficou bonitinho!
Mas, como num filme de terror, entra um companheiro de trabalho e se dirige a mim pelo sobrenome do qual sou mais conhecido.
Ao escutar, o sujeito vira uma estátua e, de repente se levanta da cadeira, faz uma volta de 180º no calcanhar e, rapidamente, foi embora, sem olhar para traz.
- Que pena, nunca mais vi o meu cabo eleitoral!

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