A crônica a seguir quem contou foi o meu mais recente amigo João.
Antes de começar a propriamente dita, preciso contar quem é o João.
Imagina o Jõ Soares a 30 anos atrás com aquele sotaque gostoso do interior – esse é o João.
1.º dia da aula de criatividade na FUNDAP, só fera, e esse...(não quero ofender nenhum animal) que escreve essas linhas, no meio deles. Chega o João com a simplicidade de que lhe é peculiar – pensei – pelo menos alguém igual a mim. Leigo engano, funcionário da Secretaria de Transportes e professor de informática. Ainda bem, pois me ajudou muito. Quando soube que escrevia crônicas, fez questão de contar a sua.
Portanto, João abaixo vai a sua história, espero que você gosta e se manifesta, um abraço.
A BATERIA
João, guando jovem e como a maioria dos adolescentes, sonhava em montar um conjunto musical. Com dificuldade comprou uma bateria (não de cozinha, musical, claro), juntou alguns amigos e começou a ensaiar. Tinha um trabalhão, pois desmontava a dita cuja, colocava na Brasília (não sei se era amarela) de sua mãe, depois de vários quilômetros, montava-a, ensaiava e o mesmo sacrifício para ir embora.
Depois de um ano, o conjunto bem ensaiado guando João percebeu que só sabiam tocar uma canção. Aí fez o seguinte cálculo: um ano = uma musica, precisavam de, pelo menos, 10 melodias para começarem a se apresentarem, portanto 10 músicas = 10 anos. Desistiu, pegou a bateria e a esqueceu em cima do guarda-roupa.
Algum tempo depois, um amigo de seu irmão (que vamos chamar de Zezito, filho de Dona Candinha) entusiasmado com a bateria, interessou em comprá-la. Perguntado se queria vender, João, para se livrar daquele estorvo e como era amigo de seu irmão, pediu um preço simbólico, 20 reais, isso mesmo, vintão.
Zezito correu, pegou um cheque com sua mãe com a seguinte recomendação:
- Para depositar o cheque dali a 30 dias.
Qual foi sua reação... poxa, estava dando a bateria pela bagatela de vinte reais, teria que receber em forma de cheque e ainda depositar depois de 30 dias!
É lógico que desistiu do grande negócio em questão, colocou a dita cuja de volta em cima do guarda-roupa e ponto.
Passado algum tempo, João que já estava noivo, resolveu se enforcar, isto é, casar. No dia do casório, nosso herói pediu para o Tónho (esse é o nome que iremos dar a esse personagem) tocar uma determinada música que adorava (João, peço desculpas, mas não me lembro do nome). Tonho fez uma brincadeira, disse que não sabia, porém no momento exato tocou a melodia deixando-o emocionado.
Casado, foi morar em outro lugar e, periodicamente, visitava sua mãe, sendo que em uma dessas vezes ela reclamou daquela bateria, pois ocupava muito espaço. Foi aí que João se lembrou do amigo Tónho, lembra, que fez a gentileza de tocar a sua música preferida no casório?
Ligou para ele e ofereceu, gratuitamente, a bateria, naturalmente o amigo gostou do presentão e o nosso personagem se livrou do incomodo.
O tempo foi passando, e um dia nosso amigo encontra com Tónho, pergunta sobre a bateria.
Incomodado, Tónho contou que estava precisando capitalizar-se (ou seja, de dinheiro) então a vendeu. João perguntou se tinha conseguido um bom preço sendo informado que vendeu por 800 reais no “Kech” (em dinheiro e no ato).
João ficou contente e perguntou se conhecia a pessoa que tinha comprado a bateria.
-Ah, foi o Zezito filho da Dona Candinha!
Dá para escutar o barulho do tombo do João.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Olá Amigão,
ResponderExcluirFicou perfeita... até revivi novamente a história. Tudo de bom.
Abração