Então houve um baile na casa da irmã da madrinha, que morava na cidade grande, próximo a área dos cortiços italianos e, pela primeira vez aquela moça teve permissão para ir a uma festa.
Lá, meio escondida e com vergonha das pessoas, logo virou fruto de gozação dos presentes. Aquele rapaz falador, influenciado pela bebida, tomou as dores da moça e essa atitude foi suficiente para que fosse tolerado que conversassem.
Logo o moço percebeu, com a conversa que tiveram o que estava ocorrendo com aquela jovem, pois se é alguma coisa que aprendeu com a vida era não ser jogral de ninguém. Porém a madrinha também entendeu e, logo de manhã do outro dia levou a moça embora para a pensão do interior.
O rapaz quando soube o que ocorrera rumou para o interior, mas quando apareceu na pensão foi expulso, então quando chegou a noite e com muita bebida na cabeça invadiu o local, pegou a jovem e a levou para a casa da nona que se responsabilizou pelos dois, fazendo que se cassassem, agora eles eram um homem e mulher, logo nasceu Eden.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Em nome do filho
A Nona logo percebeu que com aquele dois a criança não teria a menor chance, além das constantes brigas e falta de responsabilidade na tinham a menor vocação para assumirem o papel ali exposto, então ela praticamente adotou Eden.
Passaram-se quatro anos, o pai de Eden tinha comprado um terreno na divisa do município, construído uma casa rudimentar e se mudaram. Convém relatar que o lugar era encostado a uma chácara pertencente ao seu cunhado, casado com sua irmã mais velha. Porém não tinha energia elétrica, a água tinha que ser tirada de um poço, os meios de transporte era extremamente precário, além de ser um lugar longínquo para os padrões da época. Nesse tempo já tinha nascido um irmão, Lui e uma irmã, Sasinha.
A vida de Eden com a Nona era relativamente boa, além da educação religiosa, pois se era uma coisa que ela gostava era de ir à missa, três vezes por dia, de manhã, a tarde e a noite. Acreditava e se pegava na esperança que a única arma com o qual nenhum outro ser contava: a religião. Não exatamente aquilo que vem à nossa cabeça quando pensamos em religião, mas algo realmente abstrato: a idéia de acreditar que existe alguma coisa maior, além da vida. Eden, apesar da pouca idade era tão adestrado com relação a missa que, automaticamente, repetia todo o ritual dando esperança a Nona para uma, talvez, carreira religiosa.
Outra coisa era que ela lavava roupa para os moradores de um prédio próximo, sendo que Eden sempre a acompanhava nas buscas, entregas e negociações, arte última esta que o ajudaram a desenvolver raciocínio lógico matemático. Percebendo isso e quando estava com cinco anos, a Nona já o autorizava a executar a tarefa em questão, e levando vantagem devido o fato de que ninguém queria discutir com aquele menino, alem do respeito adquirido com a “clientela”.
“Graças à abundância da água que lá havia, como em nenhuma outra parte, e graças ao muito espaço de que se dispunha no cortiço para estender a roupa, a concorrência às tinas não se fez esperar; acudiram as lavadeiras de todos os pontos da cidade, entre elas algumas vindas bem longe. E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputá-los.” Trecho do livro “O Cortiço”, de Aluisio de Azevedo, escrito em 1890.
O pai de Eden uma vez por semana vinha visitar o filho, mas por falta de afinidade o que ele fazia era ler gibi (revista de história em quadrinhos) o tempo todo. Aquele garoto ficava a observá-lo, a maneira como deitava encostado em dois travesseiros, com as pernas cruzadas e os lábios mexendo fazendo um som como um sussurro. Então quando ia embora Eden pegava algum dos gibis que havia esquecido e o imitava como se também estivesse lendo.
A Nona, observadora que era ou talvez por pena, o fato é que conseguiu que uma moça, filha de uma freguesa, desse aulas particulares para Eden, em troca de desconto na lavada das roupas. Foi só ele aprender a juntar as letras dentro dos balões das falas dos personagens dos gibis que sua leitura se deslanchou, sendo motivo de espanto até pela menina que o estava ensinando.
Porém, diferente de seu pai, a sua mãe o visitava uma vez por mês, além das noticias de sofrimentos do marido impunha a família, sobretudo resultado do alcoolismo, que escutava quando estava falando com a Nona. Observava seus irmãos, Lui e Sasinha, bem mais magros que ele, conhecia o histórico de doença do irmão, principalmente que seu nascimento tinha sido complicado. Mas aquelas aparências...., isto o deixava indignado.
Passaram-se quatro anos, o pai de Eden tinha comprado um terreno na divisa do município, construído uma casa rudimentar e se mudaram. Convém relatar que o lugar era encostado a uma chácara pertencente ao seu cunhado, casado com sua irmã mais velha. Porém não tinha energia elétrica, a água tinha que ser tirada de um poço, os meios de transporte era extremamente precário, além de ser um lugar longínquo para os padrões da época. Nesse tempo já tinha nascido um irmão, Lui e uma irmã, Sasinha.
A vida de Eden com a Nona era relativamente boa, além da educação religiosa, pois se era uma coisa que ela gostava era de ir à missa, três vezes por dia, de manhã, a tarde e a noite. Acreditava e se pegava na esperança que a única arma com o qual nenhum outro ser contava: a religião. Não exatamente aquilo que vem à nossa cabeça quando pensamos em religião, mas algo realmente abstrato: a idéia de acreditar que existe alguma coisa maior, além da vida. Eden, apesar da pouca idade era tão adestrado com relação a missa que, automaticamente, repetia todo o ritual dando esperança a Nona para uma, talvez, carreira religiosa.
Outra coisa era que ela lavava roupa para os moradores de um prédio próximo, sendo que Eden sempre a acompanhava nas buscas, entregas e negociações, arte última esta que o ajudaram a desenvolver raciocínio lógico matemático. Percebendo isso e quando estava com cinco anos, a Nona já o autorizava a executar a tarefa em questão, e levando vantagem devido o fato de que ninguém queria discutir com aquele menino, alem do respeito adquirido com a “clientela”.
“Graças à abundância da água que lá havia, como em nenhuma outra parte, e graças ao muito espaço de que se dispunha no cortiço para estender a roupa, a concorrência às tinas não se fez esperar; acudiram as lavadeiras de todos os pontos da cidade, entre elas algumas vindas bem longe. E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputá-los.” Trecho do livro “O Cortiço”, de Aluisio de Azevedo, escrito em 1890.
O pai de Eden uma vez por semana vinha visitar o filho, mas por falta de afinidade o que ele fazia era ler gibi (revista de história em quadrinhos) o tempo todo. Aquele garoto ficava a observá-lo, a maneira como deitava encostado em dois travesseiros, com as pernas cruzadas e os lábios mexendo fazendo um som como um sussurro. Então quando ia embora Eden pegava algum dos gibis que havia esquecido e o imitava como se também estivesse lendo.
A Nona, observadora que era ou talvez por pena, o fato é que conseguiu que uma moça, filha de uma freguesa, desse aulas particulares para Eden, em troca de desconto na lavada das roupas. Foi só ele aprender a juntar as letras dentro dos balões das falas dos personagens dos gibis que sua leitura se deslanchou, sendo motivo de espanto até pela menina que o estava ensinando.
Porém, diferente de seu pai, a sua mãe o visitava uma vez por mês, além das noticias de sofrimentos do marido impunha a família, sobretudo resultado do alcoolismo, que escutava quando estava falando com a Nona. Observava seus irmãos, Lui e Sasinha, bem mais magros que ele, conhecia o histórico de doença do irmão, principalmente que seu nascimento tinha sido complicado. Mas aquelas aparências...., isto o deixava indignado.
A Mudança
Foi próximo de completar sete anos, quando soube que seu pai abandonara sua mãe, grávida, e a Nona na sua infinita sabedoria teve uma conversa, inserida de uma série de observações, com Eden, com certeza a mais longa, preocupada com a situação que se apresentava, sabendo que, preparado ou não, sua genitora e seus irmãos precisavam dele.
E o levou até aquele lugar longínquo. A mãe de Eden a princípio ficou preocupada, pois seria mais um para se preocupar, mas após ser tranqüilizada pela Nona informando que apesar da pouca idade aquele garoto estava preparado para auxiliá-la e, faria o possível, para que toda semana a viesse visitar. Promessa essa cumprida até próximo de seu falecimento.
Naquela noite Eden como não pode ir à missa, ensinou aos seus irmãos todo o ritual e orações antes do jantar e ao dormir.
No dia seguinte, Lui o levou para rua para brincar, situação esta estranha, pois onde morava a Nona não permitia essa situação. Além do mais se é que pode ser chamado de rua um triozinho cheio de mato, onde o vizinho mais próximo estava a ½ Km de distância. Eis que aparecem dois garotos, agarram o Lui e num rápido movimento tira seu calção e começam a enconchá-lo. Comportas de revolta se abrem com um estampido em sua mente, ondas de sentimentos o atropelam e numa atitude inconsciente, pega metade de um tijolo bate na cabeça de um deles vindo a desmaiar sendo que o outro moleque saiu correndo. Pega Lui o coloca para dentro de casa, onde o mesmo informou que além dessa situação, era vítima de espancamentos rotineiros, nos seus olhos havia alguma coisa, como um náufrago que se ergue a tona para ser salvo.
No começo da noite vieram três soldados, o garoto que foi atingido era filho de um deles, o objetivo era prender o “homem” que tinha feito aquilo. Quando viram que era um menino, talvez com menos idade do que o garoto que tinha sido atacado titubearam, mesmo assim o levaram para a delegacia. Foi o primeiro contato que Eden teve com o Sargento Bezerra. Este ficou espantado com a habilidade que aquele menino soube se defender e o liberou, ou melhor, acompanho-o até sua residência onde constatou a situação difícil que sua família estava enfrentando, isto ajudou Eden nas vindouras, digamos, peripécias que veriam acontecer no futuro.
Naquela noite Eden entendeu se quisesse sobreviver numa situação diferente da que estava acostumado e, mais importante, sua família dependia dele, teria que haver uma radical transformação de todo o universo que conhecia tanto físico, moral e social em que ele vivia, e pela primeira vez não rezou.
Como na obra de Nicolau Maquiavel que identifica uma qualidade fundamental a qualquer príncipe: VIRTÙ (palavra italiana que para Maquiavel significa energia, decisão, capacidade, empenho, vontade dirigida para um objetivo – em latim vir=homem)
O fato em questão ficou marcado na região, logo a noticia se espalhou, e com ele o respeito tanto por parte de Lui, agora se sentia protegido pelo irmão mais velho como também pelos moleques da vizinhança.
A sobrevivência da família resumia no que a Nona trazia, com dificuldades, nos finais de semanas, das poucas frutas e da plantação de batata doce da chácara.
A chácara próxima de sua casa era do seu tio, lembra? Porisso seu pai comprou o terreno onde construiu a casinha que moravam. Pois é, lá trabalhava um senhor, alto, negro com o qual Eden fez amizade e também com um filho seu que era da mesma idade, Isaias.
Como teve que matricular o filho na escola aproveitou, com o consentimento da sua genitora, a inscrever Eden também. Conseqüentemente os dois garotos ficaram amigos.
Isaias tinha uma caixa de engraxate velha, e a usando como modelo, construíram uma nova, se tornando “sócios” começando com os sapatos da vizinhança.
E o levou até aquele lugar longínquo. A mãe de Eden a princípio ficou preocupada, pois seria mais um para se preocupar, mas após ser tranqüilizada pela Nona informando que apesar da pouca idade aquele garoto estava preparado para auxiliá-la e, faria o possível, para que toda semana a viesse visitar. Promessa essa cumprida até próximo de seu falecimento.
Naquela noite Eden como não pode ir à missa, ensinou aos seus irmãos todo o ritual e orações antes do jantar e ao dormir.
No dia seguinte, Lui o levou para rua para brincar, situação esta estranha, pois onde morava a Nona não permitia essa situação. Além do mais se é que pode ser chamado de rua um triozinho cheio de mato, onde o vizinho mais próximo estava a ½ Km de distância. Eis que aparecem dois garotos, agarram o Lui e num rápido movimento tira seu calção e começam a enconchá-lo. Comportas de revolta se abrem com um estampido em sua mente, ondas de sentimentos o atropelam e numa atitude inconsciente, pega metade de um tijolo bate na cabeça de um deles vindo a desmaiar sendo que o outro moleque saiu correndo. Pega Lui o coloca para dentro de casa, onde o mesmo informou que além dessa situação, era vítima de espancamentos rotineiros, nos seus olhos havia alguma coisa, como um náufrago que se ergue a tona para ser salvo.
No começo da noite vieram três soldados, o garoto que foi atingido era filho de um deles, o objetivo era prender o “homem” que tinha feito aquilo. Quando viram que era um menino, talvez com menos idade do que o garoto que tinha sido atacado titubearam, mesmo assim o levaram para a delegacia. Foi o primeiro contato que Eden teve com o Sargento Bezerra. Este ficou espantado com a habilidade que aquele menino soube se defender e o liberou, ou melhor, acompanho-o até sua residência onde constatou a situação difícil que sua família estava enfrentando, isto ajudou Eden nas vindouras, digamos, peripécias que veriam acontecer no futuro.
Naquela noite Eden entendeu se quisesse sobreviver numa situação diferente da que estava acostumado e, mais importante, sua família dependia dele, teria que haver uma radical transformação de todo o universo que conhecia tanto físico, moral e social em que ele vivia, e pela primeira vez não rezou.
Como na obra de Nicolau Maquiavel que identifica uma qualidade fundamental a qualquer príncipe: VIRTÙ (palavra italiana que para Maquiavel significa energia, decisão, capacidade, empenho, vontade dirigida para um objetivo – em latim vir=homem)
O fato em questão ficou marcado na região, logo a noticia se espalhou, e com ele o respeito tanto por parte de Lui, agora se sentia protegido pelo irmão mais velho como também pelos moleques da vizinhança.
A sobrevivência da família resumia no que a Nona trazia, com dificuldades, nos finais de semanas, das poucas frutas e da plantação de batata doce da chácara.
A chácara próxima de sua casa era do seu tio, lembra? Porisso seu pai comprou o terreno onde construiu a casinha que moravam. Pois é, lá trabalhava um senhor, alto, negro com o qual Eden fez amizade e também com um filho seu que era da mesma idade, Isaias.
Como teve que matricular o filho na escola aproveitou, com o consentimento da sua genitora, a inscrever Eden também. Conseqüentemente os dois garotos ficaram amigos.
Isaias tinha uma caixa de engraxate velha, e a usando como modelo, construíram uma nova, se tornando “sócios” começando com os sapatos da vizinhança.
Negócios a parte
Logo Eden usaria a capacidade de administração obtida quando auxiliava a nona. Primeiro: localizou um ponto de ônibus que estava sempre cheio; segundo: com o tempo construiu mais duas caixas de engraxate, levando mais três cadeiras e um ponto fixo logo seu “sócio” e seu irmão passaram a trabalhar para ele numa porcentagem de 60%, 40%; terceiro: Eden propôs a uma sorveteria próxima para colocar sorvetes no “seu” ponto e, adquirido uma caixa de isopor grande, numa porcentagem de 40% de lucro, passou a negociar o produto em questão.
A tática era o seguinte: quando o cliente pegava sorvete, e nunca se contentava com um, era para fazer “cera” no sentido de retardar o tempo da engraxada, mas se recusava a consumir o produto o serviço era feito bem rápido. Quando era tempo frio, no inverno, por exemplo, trocava o sorvete por garrafas de café, feito pela mãe de Eden.
Com essa atividade dava para manter a casa, o ruim era que cada vez Eden tinha que dormir no ponto de ônibus para não perder a vaga, porque é só um negocio começar a dar certo que logo aparece a concorrência, isso ele aprendeu as duras penas.
Também aprendeu como um moleque em situação de rua sobrevive, já era normal andar munido de faca, e não era raro ele e sua “turma”, que nesse momento já era composto de mais garotos, entrarem em conflito com outras turmas, acarretando algumas “visitas” com o Sargento Bezerra onde como punição tinha que engraxar as botas dos soldados.
Com o fim do primário, concluído a admissão, com 13 anos e a volta de seu pai, pelo menos momentaneamente, surge a oportunidade de concorrer a uma vaga numa escola técnica.....isso é uma outra história.
A tática era o seguinte: quando o cliente pegava sorvete, e nunca se contentava com um, era para fazer “cera” no sentido de retardar o tempo da engraxada, mas se recusava a consumir o produto o serviço era feito bem rápido. Quando era tempo frio, no inverno, por exemplo, trocava o sorvete por garrafas de café, feito pela mãe de Eden.
Com essa atividade dava para manter a casa, o ruim era que cada vez Eden tinha que dormir no ponto de ônibus para não perder a vaga, porque é só um negocio começar a dar certo que logo aparece a concorrência, isso ele aprendeu as duras penas.
Também aprendeu como um moleque em situação de rua sobrevive, já era normal andar munido de faca, e não era raro ele e sua “turma”, que nesse momento já era composto de mais garotos, entrarem em conflito com outras turmas, acarretando algumas “visitas” com o Sargento Bezerra onde como punição tinha que engraxar as botas dos soldados.
Com o fim do primário, concluído a admissão, com 13 anos e a volta de seu pai, pelo menos momentaneamente, surge a oportunidade de concorrer a uma vaga numa escola técnica.....isso é uma outra história.
Conclusão
A Saga de Eden começa com a imigração, principalmente, a italiana. O que eles não sabiam é que iam para um país que não tinha mais rei. E nem escravidão. Aliais, muita vezes não sabiam que estavam sendo levados para o Brasil já contratados por um fazendeiro. Mesmo o genitor, normalmente aquele que tratava com o agente da imigração não estava exatamente por dentro da transação.
Segundo Hobbes, o homem em estado natural é anti-social por natureza e só se move por desejo ou por medo, diria aqui também por necessidade extrema, sendo que sua autoconservação, o induz a impor-se sobre os demais.
Todo o homem é opaco aos olhos do seu semelhante – eu na sei o que o outro deseja, e por isso tenho que fazer uma suposição de qual será a sua atitude mais prudente, mais razoável. Como ele também não sabe o que quero. Também é forçado a supor o que farei.
Se os imigrantes tivessem confiado menos, pois não sabiam que estavam indo para substituir a mão de obra escrava, talvez a historia fosse diferente. É por isso que Hobbes, e outros, citam os gregos e romanos quando querem conhecer ou exemplificar algo sobre o homem.
Como o homem é naturalmente?
A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestante mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando considera tudo isso em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele. (Hobbes: Medo e a Esperança, p. 55.)
Naquele tempo muitos imigrantes italianos fugiam do sistema imposto pelos fazendeiros, porque como podiam ter trabalhado tanto e, além de não ter direitos, eram explorados ao extremo. Como num estado alucinante John Locke, o individualista liberal, num lapso do futuro profetizou:
[...]
Todas essas premissas, tendo sido, ao que me parece, claramente estabelecidas, é impossível que os atuais governantas sobre a terra obtenham qualquer proveito, ou derivem a menor sombra de autoridade daquilo que é tido como fonte de todo poder, “o domínio privado e a jurisdição paterna de “Adão”...apenas o produto da força e da violência e que os homens somente vivem juntos pela regras dos animais, onde vence o mais forte e, desta forma, lança as bases para a perpétua desordem e discórdia, tumulto, sedição e rebelião...
(John Locke e o Individualista Liberal, p. 90.)
A Saga de Eden, tal qual Fausto de Goethe, conservando as devidas proporções, é uma narrativa de um garoto que ora, está protegido e outra tem que proteger, porém, durante sua trajetória, vai adquirindo experiências antecipadas que o auxiliam nas adversidades que vão aparecendo. É sempre bom citar Locke porque, além de ter sido defensor da liberdade e da tolerância religiosa, foi considerado o fundador do empirismo, doutrina segundo a qual todo o conhecimento deriva da experiência. Como filósofo, Locke é conhecido pela teoria da tábua rasa do conhecimento, desenvolvida no ensaio sobre o entendimento humano, onde afirma:
Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer idéias; como ela será suprida? De onde lhe provém este vasto estoque, que a ativa e que a ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma variedade quase infinita? De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundada e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento.
(John Locke e o Individualismo Liberal, p. 83.)
Segundo Hobbes, o homem em estado natural é anti-social por natureza e só se move por desejo ou por medo, diria aqui também por necessidade extrema, sendo que sua autoconservação, o induz a impor-se sobre os demais.
Todo o homem é opaco aos olhos do seu semelhante – eu na sei o que o outro deseja, e por isso tenho que fazer uma suposição de qual será a sua atitude mais prudente, mais razoável. Como ele também não sabe o que quero. Também é forçado a supor o que farei.
Se os imigrantes tivessem confiado menos, pois não sabiam que estavam indo para substituir a mão de obra escrava, talvez a historia fosse diferente. É por isso que Hobbes, e outros, citam os gregos e romanos quando querem conhecer ou exemplificar algo sobre o homem.
Como o homem é naturalmente?
A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestante mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando considera tudo isso em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele. (Hobbes: Medo e a Esperança, p. 55.)
Naquele tempo muitos imigrantes italianos fugiam do sistema imposto pelos fazendeiros, porque como podiam ter trabalhado tanto e, além de não ter direitos, eram explorados ao extremo. Como num estado alucinante John Locke, o individualista liberal, num lapso do futuro profetizou:
[...]
Todas essas premissas, tendo sido, ao que me parece, claramente estabelecidas, é impossível que os atuais governantas sobre a terra obtenham qualquer proveito, ou derivem a menor sombra de autoridade daquilo que é tido como fonte de todo poder, “o domínio privado e a jurisdição paterna de “Adão”...apenas o produto da força e da violência e que os homens somente vivem juntos pela regras dos animais, onde vence o mais forte e, desta forma, lança as bases para a perpétua desordem e discórdia, tumulto, sedição e rebelião...
(John Locke e o Individualista Liberal, p. 90.)
A Saga de Eden, tal qual Fausto de Goethe, conservando as devidas proporções, é uma narrativa de um garoto que ora, está protegido e outra tem que proteger, porém, durante sua trajetória, vai adquirindo experiências antecipadas que o auxiliam nas adversidades que vão aparecendo. É sempre bom citar Locke porque, além de ter sido defensor da liberdade e da tolerância religiosa, foi considerado o fundador do empirismo, doutrina segundo a qual todo o conhecimento deriva da experiência. Como filósofo, Locke é conhecido pela teoria da tábua rasa do conhecimento, desenvolvida no ensaio sobre o entendimento humano, onde afirma:
Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer idéias; como ela será suprida? De onde lhe provém este vasto estoque, que a ativa e que a ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma variedade quase infinita? De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundada e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento.
(John Locke e o Individualismo Liberal, p. 83.)
Referências Bibliográficas
Azevedo, Aluizio, O Cortiço. São Paulo, Ediouro, 2004.
BERMAN, Marshall, Tudo o que é Sólido Desmancha no Ar. São Paulo: Editora Achwarcz Ltda. 1986, p.37 – 71
BOBBIO, N. Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Rio de Janeiro: Campus, 2000
BONETTI, L. W. Políticas públicas por dentro. Ijuí: Unijí, 2006.
DESLANDES, Suely Ferreira, Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
LINHARES, M. A.(Orgs.) Sobre lazer e política. Maneiras de ver, maneiras de fazer. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006, p. 65 – 92
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo, Cortez, 2008.
TRIVIÑOS, A. N. S. Intodução à pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987
WEFFORT, Francisco Correia, organizador, Os Clássicos da Política, 1º Volume, São Paulo, 14º Editora Ática, 2006
BERMAN, Marshall, Tudo o que é Sólido Desmancha no Ar. São Paulo: Editora Achwarcz Ltda. 1986, p.37 – 71
BOBBIO, N. Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Rio de Janeiro: Campus, 2000
BONETTI, L. W. Políticas públicas por dentro. Ijuí: Unijí, 2006.
DESLANDES, Suely Ferreira, Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
LINHARES, M. A.(Orgs.) Sobre lazer e política. Maneiras de ver, maneiras de fazer. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006, p. 65 – 92
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo, Cortez, 2008.
TRIVIÑOS, A. N. S. Intodução à pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987
WEFFORT, Francisco Correia, organizador, Os Clássicos da Política, 1º Volume, São Paulo, 14º Editora Ática, 2006
sábado, 27 de agosto de 2011
T R A I D O R
Antes de começar quero mostrar alguns grandes traidores da história:
JINGWEI (WANG)
CHINA
GUERRA SINO-JAPONESA, DÉCADA DE 1930
Depois de participar do Kuomintang, movimento que lutava para unificar o país, Jingwei se revoltou e mudou para o lado inimigo justo quando a guerra da China contra o Japão pegava fogo, literalmente. Ele não apenas fez vista grossa para os avanços japoneses como conquistou a província de Nanquim para os novos amigos.
Ao trocar a China pelo Japão, Jingwei (Wang) deixou de lado sua ideologia comunista para defender um país que fazia parte do grupo do Eixo, aquele mesmo que era comandado pela Alemanha nazista na Segunda Guerra.
JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS
PORTUGAL
BRASIL COLÔNIA, SÉCULO 18
Apesar de ser português, ele se tornou um dos traidores mais famosos do Brasil antes mesmo de o país se libertar de Portugal. Isso porque passou por cima logo do primeiro movimento de independência, a famosa Inconfidência Mineira. Para escapar das suas dívidas com a Coroa, ele entregou seu amigo Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A conclusão todo mundo já sabe: o líder dos inconfidentes acabou enforcado e esquartejado.
Além de ter suas dívidas perdoadas, o delator de Tiradentes ganhou uma pensão vitalícia do governo português e foi até mesmo recebido por dom João.
JUNIUS (MARCUS) BRUTUS
ROMA
44 A.C.
Brutus certamente não foi o primeiro traidor da história, mas foi o primeiro a se tornar famoso. Depois de lutar pelo Império Romano, comandado pelo seu pai adotivo, Júlio César, ele se uniu a outro traíra, o general Cássio Longinus, para tomar o poder. Não bastasse a traição, o cara aceitou colocar em prática o plano de assassinar o ‘papito’. Ao ser golpeado, César mandou a famosa frase: ‘Até tu, Brutus?’
Depois da traição, Brutus chegou a montar um exército para dominar o Império Romano, mas foi derrotado por Marco Antônio. Aí a consciência pesou e ele se suicidou.
JUDAS ISCARIOTE
GALILÉIA
33 ANOS APÓS O NASCIMENTO DE CRISTO
Ele não traiu ‘simplesmente’ uma pátria, um partido ou uma ideologia. O mais famoso traidor da história é até hoje lembrado como o sujeito que deu uma rasteira no filho único do Todo-Poderoso. E pior: segundo a Bíblia, Judas entregou Jesus Cristo aos soldados romanos em troca de míseras 30 moedas de prata. Arrependido, o apóstolo tentou devolver o dinheiro e voltar atrás, mas já era tarde. Cristo foi crucificado e Judas, culpado, suicidou-se.
Em algumas cidades do mundo, inclusive aqui no Brasil, existe o costume de ‘malhar’ o Judas no sábado de Aleluia (o que vem antes do domingo de Páscoa)
Perceberam a coincidência! Não? Pois prestem a atenção, todos começam com a letra “JOTA”. Baseado nesta informação sempre fiquei atento e, pasmem, deu certo pois também tive o meu “JOTA”, porém a história esta aí para nos ensinar e, diferente do destino dos traídos, o jota em questão perceberá que é o seu próprio traidor.
Outra curiosidade:
Na lei militar, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coopera ativamente com o inimigo (colaboracionismo), é considerado um traidor. inclusive é a única sentença que prevê pena de morte no Brasil.
Assinar:
Postagens (Atom)